Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Primeiramente, o mercado tecnológico prepara-se para uma mudança arquitetónica absolutamente gigantesca. Inegavelmente, os iPhones sem entrada física representam o futuro próximo da Apple. Antigamente, os cabos eram essenciais para carregar a bateria e transferir dados. Contudo, a marca caminha rapidamente para um ecossistema totalmente baseado na nuvem.
Por conseguinte, esta inovação drástica levanta preocupações imensas na segurança da informação. Neste artigo técnico, vamos analisar o impacto desta mudança no trabalho policial. Além disso, debateremos como a perícia digital forense extrairá dados destes aparelhos. Por fim, explicaremos os novos desafios jurídicos para a cadeia de custódia.
O fim dos cabos e a extração forense
Mas, afinal, como a tecnologia forense atua nos telemóveis apreendidos atualmente? De facto, a extração física de dados exige uma conexão via cabo. Consequentemente, ferramentas como o Cellebrite e o GrayKey utilizam a porta USB. Ademais, os peritos acedem ao disco rígido do telemóvel através destas entradas.
Sem dúvida, os iPhones sem entrada física bloqueiam esta via tradicional completamente. Desse modo, a recolha de provas digitais presenciais torna-se infinitamente mais complexa. Portanto, os investigadores perderão a principal porta de acesso aos ficheiros apagados. Em suma, a computação forense precisará de reinventar os seus métodos operacionais.
A computação em nuvem como única saída
Sob a ótica investigativa, a alternativa óbvia será o foco na internet. Inegavelmente, os iPhones sem entrada física dependerão exclusivamente das cópias de segurança. Por conseguinte, o backup no iCloud tornar-se-á o alvo principal das autoridades. Como já analisámos no nosso artigo sobre o backup no iCloud e o caso MCs, a nuvem “fala”.
Contudo, a Apple utiliza criptografia de ponta a ponta nestes servidores remotos. Adicionalmente, os criminosos apagam frequentemente os ficheiros antes da apreensão policial ocorrer. Consequentemente, recuperar mensagens do WhatsApp sem o aparelho físico será um desafio. Definitivamente, o Estado dependerá muito mais da cooperação direta das Big Techs.
A ótica jurídica e a cadeia de custódia
O Direito Digital também enfrentará um enorme obstáculo processual nos tribunais superiores. Inegavelmente, a cadeia de custódia exige o isolamento imediato do telemóvel apreendido. Afinal, o perito liga o “modo avião” para evitar apagamentos remotos indevidos.
No entanto, extrair dados via Wi-Fi ou Bluetooth quebra este isolamento forense. Desse modo, a defesa do acusado alegará a contaminação da prova digital. Portanto, os juízes precisarão de atualizar o Código de Processo Penal urgentemente. Em conclusão, o avanço tecnológico atropelará as leis brasileiras e europeias novamente.
Conclusão: a evolução técnica é inegociável
A eliminação das portas de carregamento é uma tendência de mercado irreversível. Sem dúvida, a perícia digital nunca recuou perante os avanços da criptografia. Contudo, os laboratórios estatais e privados precisarão de orçamentos milionários para pesquisa. As empresas de inteligência cibernética já desenvolvem novos vetores de invasão wireless.
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Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.