Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 26 de julho de 2025
A gigante Apple anunciou neste mês um conjunto de novas ferramentas voltadas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. As atualizações impactam diretamente o uso do iPhone, iPad e Mac, com foco em limitar conteúdos inapropriados, fortalecer a supervisão parental e incentivar o diálogo entre pais e filhos sobre segurança digital.
A iniciativa representa um avanço estratégico no cenário da cibersegurança, especialmente diante do aumento alarmante de crimes digitais envolvendo menores. Segundo o relatório da Apple, as medidas reforçam a abordagem educativa e preventiva, com respeito à privacidade e ao amadurecimento gradual da autonomia dos jovens usuários.
Entre os principais destaques das novas ferramentas, estão:
- Sugestões de tempo de tela e limites de aplicativos: pais poderão visualizar e adaptar os limites com base em recomendações automatizadas que consideram o tipo de conteúdo e a faixa etária.
- Solicitação de permissão para instalação de apps: a criança ou adolescente precisará da autorização dos pais para baixar ou atualizar aplicativos, com notificações em tempo real e explicações do motivo do pedido.
- Relatórios de uso e atividades: os responsáveis terão acesso a um painel completo sobre navegação, tipos de conteúdo acessado, interações em redes sociais e frequência de uso de determinadas plataformas.
- Sistema de alertas para imagens sensíveis: tecnologia avançada de detecção irá sinalizar possíveis conteúdos de nudez ou abuso antes que o menor veja ou envie a imagem, com orientação sobre como proceder.
Essas ferramentas são uma resposta direta a demandas globais por ambientes digitais mais seguros para crianças e adolescentes. No Brasil, onde o uso de dispositivos móveis entre menores é intenso e precoce, tais inovações ganham ainda mais relevância.
Do ponto de vista jurídico, a implementação de sistemas de controle parental e prevenção de danos digitais atende ao artigo 227 da Constituição Federal, que garante à criança e ao adolescente absoluta prioridade na proteção de seus direitos. Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em seu artigo 14, prevê obrigações específicas para o tratamento de dados pessoais de menores de idade.
Os pais que negligenciam o monitoramento digital, principalmente após alertas claros sobre riscos, podem ser responsabilizados civilmente por omissão. A jurisprudência nacional já reconhece que o uso indevido da internet por menores, sem a devida orientação dos responsáveis, pode gerar danos morais e materiais — tanto à criança quanto a terceiros.
Na M A Segurança Digital, temos observado um aumento nos casos de adolescentes envolvidos em crimes cibernéticos, sextorsão e aliciamento online. A falta de ferramentas adequadas de supervisão e diálogo familiar são fatores recorrentes nos atendimentos e perícias técnicas realizadas por nossa equipe.
A recomendação, portanto, é clara: investir em segurança digital familiar é tão essencial quanto instalar trancas em casa. A tecnologia, quando aliada à informação, se torna um escudo eficaz contra ameaças invisíveis, mas perigosas.
Fonte:
Apple Newsroom – Apple expands tools to help parents protect kids and teens online