Hackers Desviam Mais de US$ 29 Milhões e Atingem Celebridades: Astro do BTS esta entre as vítimas.

Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 03 de setembro de 2025

O recente caso de hackers que desviaram mais de US$ 29 milhões na Coreia do Sul, vitimando empresários e até celebridades como o astro Jungkook, integrante do grupo BTS, expõe um alerta preocupante: nem mesmo os nomes mais famosos e financeiramente protegidos estão a salvo sem sistemas de segurança digital adequados.

O esquema, revelado pelas autoridades coreanas, funcionava a partir da invasão de sites de telecomunicações. Com acesso a dados pessoais sigilosos, os criminosos abriram linhas móveis falsas e, a partir daí, conseguiram acessar contas bancárias, corretoras de ações e carteiras de criptomoedas das vítimas. Jungkook só não teve perdas porque sua conta foi bloqueada a tempo, mas dezenas de outros alvos perderam fortunas em questão de horas. O líder do grupo, conhecido como “Jeon”, foi extraditado da Tailândia para a Coreia do Sul e agora aguarda julgamento.

Esse episódio, embora de enorme repercussão pelo envolvimento de uma estrela internacional, não é isolado. Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Brasil, foi paralisado por dias após um ataque de ransomware. Em 2021, o chamado “vazamento de dados do fim do mundo” expôs informações de mais de 223 milhões de brasileiros, superando até o número de habitantes do país, devido a cadastros repetidos e históricos de CPF. Mais recentemente, hackers chegaram a emitir alvarás de soltura falsos em nome de juízes, manipulando sistemas judiciais frágeis.

Se nem tribunais superiores ou celebridades globais estão imunes, a conclusão é inevitável: qualquer pessoa pode ser alvo. Hackers utilizam técnicas de engenharia social, phishing e, cada vez mais, inteligência artificial para personalizar ataques. A nova era do chamado “vibe hacking”, onde criminosos usam modelos de IA para criar códigos maliciosos ou campanhas falsas convincentes, só reforça essa vulnerabilidade generalizada.

O caso do BTS mostra como a popularidade e a exposição digital também ampliam riscos. Estrelas do entretenimento dependem de forte presença online para manter sua marca ativa, mas essa mesma exposição as torna alvos cobiçados por criminosos. A relação direta entre fama e vulnerabilidade deixa claro que a falta de investimentos em segurança digital cria um ambiente em que nem os mais ricos, conhecidos ou protegidos podem confiar na integridade de suas informações e recursos.

O problema central está na negligência estatal e corporativa. Falta uma política sólida de cibersegurança global, e no Brasil o cenário não é diferente. Muitos sistemas públicos ainda funcionam sem autenticação multifatorial, sem protocolos de resposta a incidentes e sem monitoramento constante contra invasões. Empresas privadas, por sua vez, muitas vezes tratam a segurança como gasto, e não como investimento essencial para preservar dados, reputação e patrimônio.

A lição é clara: sem cuidados básicos, como uso de senhas fortes, autenticação em múltiplos fatores, auditorias periódicas, educação digital e investimento real em infraestrutura tecnológica, a vulnerabilidade é inevitável. Não importa se o alvo é um cidadão comum, um tribunal ou uma estrela internacional — todos estão sujeitos a golpes cada vez mais sofisticados.

O episódio que vitimou milionários e quase afetou um dos maiores artistas do planeta é um símbolo do tempo em que vivemos: na era digital, a fama e o dinheiro não são garantias de proteção. Só o investimento constante em segurança cibernética pode reduzir riscos e devolver alguma confiança à sociedade conectada.

Fontes: R7 – “Como hackers deram golpe de mais de US$ 29 milhões que vitimou até astro do BTS” | The Korea Times | Times of India | CNN Brasil | UOL | Wikipédia – “Ataque cibernético ao STJ em 2020” e “Vazamento de dados do fim do mundo”

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