Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 24/11/2025
Um estudo recente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revela que 37 % das redes de franquias no Brasil se encontram na fase de testes de aplicação de inteligência artificial (IA), enquanto apenas cerca de 26 % afirmam usar a tecnologia de modo estruturado. O levantamento aponta desafios de conhecimento técnico, integração de sistemas e custos como barreiras à adoção plena.
1. Panorama atual da adoção de IA nas franquias
De acordo com a pesquisa, das franquias respondentes: 37 % informaram estar em fase de testes para implementação de IA; 22 % utilizam a tecnologia de forma não estruturada; e apenas 26 % possuem aplicação estruturada da IA. Esse cenário coloca o setor de franchising em um estágio de transição entre experimentação e maturidade digital.
Entre as ferramentas mais usadas estão chatbots e assistentes virtuais (em torno de 75 % das redes), seguidos por IA generativa de textos (aproximadamente 71 %). As principais áreas de adoção são marketing (83 %), recursos internos administrativos (62 %) e atendimento ao cliente (55 %).
2. Benefícios percebidos e ganhos iniciais
Segundo as redes, os maiores benefícios da IA são: aumento de produtividade (73 %), automação de tarefas repetitivas (63 %), melhoria no atendimento ao cliente (51 %), apoio à tomada de decisão (41 %) e maior personalização da comunicação (40 %). Apesar disso, somente 4 % afirmaram não perceber ganhos concretos até o momento.
3. Principais desafios para maturidade tecnológica
Os obstáculos mais citados são: falta de conhecimento técnico interno (47 %), dificuldade de integrar IA com sistemas legados (39 %) e altos custos de implementação (38 %). Além disso, poucas redes têm políticas formais para uso de IA ou métricas definidas para medir resultados. Grande parte das menores franquias ainda está fora da pauta de IA ou considera o tema como iniciativa futura.
4. Implicações jurídicas, de governança e compliance
A adoção de IA em franquias exige atenção a diversos aspectos jurídicos e regulatórios. Pela perspectiva de governança, é necessária a definição clara de:
- Finalidade e transparência do uso de IA, conforme Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), especialmente se houver tratamento de dados pessoais ou perfis de clientes.
- Responsabilidades sobre decisões automatizadas, que podem gerar efeitos sobre consumidores e franqueados — o que remete a princípios de explicabilidade, não discriminação e auditoria de algoritmos.
- Segurança da informação e resiliência operacional: a maturidade da IA traz riscos diferentes dos sistemas convencionais, exigindo políticas de acesso, logs e controles de privilégio adaptados.
- Contratos entre franqueadora e franqueados devem contemplar cláusulas sobre licenciamento de IA, propriedade intelectual, uso de dados e compatibilidade com a infraestrutura da rede.
5. Recomendações práticas para redes de franquias
Para avançar com IA de forma estruturada, as franquias devem:
- Mapear as rotinas e processos que mais ganhariam com automação e inteligência, priorizando casos de sucesso em atendimento e marketing.
- Construir um governança de IA com definição de métricas, responsáveis, fluxos de validação e monitoramento de resultados.
- Investir em capacitação de equipes internas — especialmente na cultura de dados, ética da IA e integração tecnológica.
- Realizar pilotos controlados antes de escalar: testar chatbots, IA de conteúdo ou análise de clientes em uma unidade-piloto.
- Avaliar a infraestrutura de TI: garantir que sistemas legados suportem integração com IA, que haja compliance com LGPD e políticas de segurança reforçadas.
- Estabelecer indicadores de retorno (produtividade, satisfação do cliente, redução de custos) e revisar a estratégia com base nos resultados.
Conclusão
O cenário revela que o setor de franquias brasileiro já iniciou a jornada com IA, mas ainda está longe da maturidade completa. A transição exige mais do que tecnologia — demanda governança, cultura, infraestrutura e atenção aos aspectos jurídicos e regulatórios. Para as redes que querem se manter competitivas, o passo não é “se adotar IA”, mas como adotá-la de forma consciente, sustentável e jurídica.
Fonte: Computer Weekly – “37 % das franquias brasileiras estão em fase de testes na aplicação da IA”
Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.