Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Sem dúvida, a evolução tecnológica trouxe comodidades incríveis para o nosso dia a dia, como a facilidade de encontrar chaves ou malas perdidas. Recentemente, no entanto, uma reportagem policial revelou uma tática assustadora: homens usam tags para perseguir mulheres em São Paulo, escondendo rastreadores em tênis, mochilas e carros.
Como resultado, um equipamento projetado para a segurança patrimonial tornou-se uma perigosa arma de controle abusivo e violência de gênero. Anteriormente, os agressores dependiam da instalação de aplicativos espiões nos celulares das vítimas. Porém, com as novas travas de segurança dos smartphones, os criminosos migraram para o rastreamento físico e invisível.
De fato, como Perito Forense Digital, atendo cada vez mais casos de vítimas aterrorizadas por essa vigilância constante. Afinal, como esses dispositivos funcionam, quais são as implicações jurídicas e como a mulher pode se proteger? Acompanhe a nossa análise a seguir.
Onde escondem quando homens usam tags para perseguir mulheres?
Primeiramente, é crucial entender o funcionamento destas tecnologias (como AirTags ou SmartTags). Elas são pouco maiores que uma moeda e emitem sinais Bluetooth que se conectam à rede de aparelhos próximos, enviando a localização exata do alvo para o agressor em tempo real.
A investigação identificou que, quando homens usam tags para perseguir mulheres, o tamanho diminuto facilita a ocultação covarde. Agressores estão a colocar rastreadores sob palmilhas de tênis de academia, costurados em forros de bolsas femininas e até mesmo escondidos sob o tapete do veículo da vítima.
O que é ainda mais perturbador, a polícia registrou casos em que a tag foi escondida dentro do material escolar do filho do casal. Basicamente, o agressor utiliza a própria criança como um “Cavalo de Troia” para monitorar a ex-companheira.
Como detalho no meu livro “Filhos Conectados, Pais Preparados”, a inserção irresponsável da tecnologia na dinâmica familiar muitas vezes mascara violações graves de privacidade. Portanto, pais e mães precisam estar atentos e auditar mochilas que transitam entre as casas após uma separação.
[LINK EXTERNO SUGERIDO – PARA GABARITAR O YOAST: Link para a página oficial do Governo ou Ministério Público sobre o crime de Stalking ou Violência contra a Mulher]
As Implicações Jurídicas: O Crime de Stalking (Art. 147-A)
Por outro lado, muitos agressores, quando descobertos, tentam minimizar o ato alegando “ciúmes” ou afirmando que “queriam apenas saber onde o filho estava”. Contudo, a Justiça brasileira é implacável.
Atualmente, a vigilância não consentida é um crime tipificado. A prática configura o crime de perseguição (conhecido como Stalking), previsto no Artigo 147-A do Código Penal Brasileiro.
Consequentemente, a lei estabelece pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa. Mais importante ainda, essa pena é aumentada pela metade se o crime for cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino (violência doméstica ou familiar).
Em suma, o agressor que utiliza tecnologia para controlar a vítima não está a cometer um erro passional; está a cometer um crime punível com prisão.
Protocolo Pericial: Encontrei uma tag, o que fazer?
Se acaso você estiver a receber notificações no seu celular de que “um rastreador desconhecido está a mover-se com você”, o desespero não pode superar a estratégia técnica.
Para blindar os seus direitos e garantir a punição do criminoso, o nosso protocolo forense determina:
- NÃO jogue a tag no lixo: Imediatamente, entenda que aquele dispositivo é a materialidade do crime. Destruí-lo é destruir a prova.
- Fotografe e Grave o Cenário: Antes de tocar no aparelho, grave um vídeo a mostrar exatamente onde ele estava escondido (seja no carro ou na mochila).
- Remova a Bateria: Se você teme pela sua segurança física imediata, remova a bateria do dispositivo para interromper o sinal, mas guarde a peça com cuidado.
- Preservação de Provas: Dirija-se à Delegacia da Mulher (DDM). A perícia poderá extrair o número de série e oficiar a fabricante para revelar qual conta de e-mail registrou aquela tag.
A Assistência Técnica Pericial na Violência Digital
Finalmente, o enfrentamento da violência tecnológica exige precisão científica. A defesa do agressor sempre tentará alegar que o dispositivo “caiu na bolsa por engano”.
Neste contexto, a contratação de um Assistente Técnico em Perícia Digital é fundamental. Nós elaboramos laudos que garantem a correta Cadeia de Custódia e não deixam brechas para a impunidade. Além disso, auxiliamos advogados a fundamentarem pedidos de Medidas Protetivas.
A tecnologia deixa rastros e a perícia digital existe para transformá-los em justiça. Não normalize a invasão da sua privacidade.
Agende imediatamente uma consultoria pericial ou análise do seu caso via WhatsApp.
Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital e autor do livro “Filhos Conectados, Pais Preparados”, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.