Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 02 de agosto de 2025
Muito além de firewalls, antivírus e sistemas de autenticação, a segurança digital é, hoje, uma questão de cultura organizacional e comportamento humano. Essa é a análise defendida por Caio Telles, CEO da BugHunt, em entrevista à Startupi, ao destacar que o elo mais vulnerável dos sistemas continua sendo as pessoas.
A fala de Telles ocorre em um momento crítico, marcado pelo aumento expressivo de ataques cibernéticos direcionados a empresas públicas e privadas. Segundo o Relatório de Ameaças Cibernéticas da Check Point, o Brasil figura entre os países mais visados da América Latina, com uma média de 1.500 ataques por semana por organização.
O erro humano como vetor principal de risco
Engenharia social, phishing, vazamento de senhas, uso de dispositivos pessoais em redes corporativas — esses são apenas alguns exemplos de situações em que a falha humana é explorada como ponto de entrada por cibercriminosos. E isso independe do nível tecnológico da empresa.
Como explica Telles, a cultura de segurança precisa ir além de campanhas esporádicas de conscientização. É necessário incorporar práticas de cibersegurança ao dia a dia dos colaboradores, desde a alta gestão até o operacional. Isso inclui treinamentos contínuos, canais internos de reporte e políticas claras de resposta a incidentes.
Cultura digital começa na liderança
A segurança digital deve ser tratada como prioridade estratégica, e não como mera obrigação técnica. Para isso, é fundamental que a liderança empresarial esteja envolvida diretamente na gestão de riscos cibernéticos.
Investir em tecnologia sem promover a educação e engajamento das pessoas é como blindar uma porta e deixar as janelas abertas. O gestor que entende esse cenário adota a cibersegurança como uma extensão da governança corporativa.
Boas práticas para consolidar uma cultura de segurança
- Treinamento periódico e gamificado para todos os colaboradores.
- Simulações realistas de phishing para medir vulnerabilidades.
- Códigos de conduta digital claros e acessíveis.
- Criação de núcleos internos de resposta a incidentes (CSIRT).
- Integração da cibersegurança às metas da empresa.
Conclusão
Segurança digital não se trata apenas de investir em tecnologia, mas de criar um ambiente onde todos se sintam responsáveis pela proteção dos dados e ativos digitais. O sucesso das estratégias de defesa está diretamente ligado ao grau de envolvimento humano — e à forma como a organização lida com erros, acertos e aprendizados.
Empresas que desejam se manter competitivas e protegidas devem cultivar uma mentalidade de segurança, integrando tecnologia, processos e pessoas em um ecossistema resiliente.
Fonte:
🔗 Startupi – Segurança digital vai além da tecnologia: é cultura