Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 05/01/2026
Resenha
Golpes digitais que usam o IPVA como isca continuam fazendo vítimas em todo o país. Criminosos exploram falsas cobranças, boletos inexistentes e mensagens enviadas por WhatsApp. A informação correta é clara: não há mais boletos físicos de IPVA e o governo não cobra por aplicativos de mensagens.
Com a chegada do período de pagamento do IPVA, criminosos digitais intensificam campanhas de golpes utilizando o nome de órgãos estaduais de trânsito e fazendas públicas. As abordagens costumam ocorrer por WhatsApp, SMS ou e-mail, sempre com tom de urgência, ameaçando multas, juros ou apreensão do veículo.
Esses golpes exploram desinformação e medo, mas partem de uma premissa falsa: o IPVA não é mais cobrado por boleto enviado ao cidadão.
Não existem mais boletos de IPVA
A principal informação que todo cidadão precisa saber é objetiva: o IPVA não é mais enviado por boleto físico, e nem por WhatsApp.
Atualmente, o pagamento ocorre por meios digitais oficiais, como:
- consulta direta no site da Secretaria da Fazenda do estado
- pagamento via aplicativo bancário, usando o código RENAVAM
- débito em conta, conforme convênio do banco
- canais oficiais do Detran ou da Fazenda Estadual
Qualquer mensagem com “boleto de IPVA” deve ser tratada como fraude.
Como funciona o golpe do IPVA
Os criminosos enviam mensagens simulando órgãos públicos, informando que há IPVA em atraso ou prestes a vencer. Para aumentar a credibilidade, utilizam:
- logotipos falsos de governos estaduais
- valores próximos aos reais
- promessa de desconto imediato
- ameaça de multa, juros ou bloqueio do veículo
A mensagem geralmente contém um link para um site falso, que gera um boleto fraudulento ou coleta dados pessoais e bancários da vítima.
WhatsApp não é canal oficial de cobrança
Outro ponto fundamental: órgãos públicos não realizam cobranças por WhatsApp.
Nem Detran, nem Secretaria da Fazenda, nem governo estadual utilizam aplicativos de mensagens para enviar cobranças, boletos ou links de pagamento.
Qualquer mensagem com esse formato é tentativa de golpe.
Principais sinais de alerta
Alguns indícios claros de fraude nesse tipo de abordagem são:
- mensagem recebida por WhatsApp ou SMS
- envio de boleto ou link para pagamento
- tom de urgência ou ameaça
- erros sutis de português ou formatação
- domínio de site diferente do oficial do estado
- promessa de desconto “por tempo limitado”
A combinação desses fatores indica alto risco de golpe.
Riscos ao clicar ou pagar
Ao clicar no link ou efetuar o pagamento, a vítima pode:
- perder dinheiro diretamente
- fornecer dados pessoais e bancários
- ter informações usadas em outros golpes
- ser alvo de novas tentativas de fraude
Em muitos casos, o valor pago não pode ser recuperado, pois o dinheiro vai diretamente para contas controladas por criminosos.
Como pagar o IPVA com segurança
A forma correta de pagamento é sempre:
- acessar diretamente o site oficial da Secretaria da Fazenda do seu estado
- usar o aplicativo do seu banco
- digitar manualmente o RENAVAM
- conferir o nome do beneficiário antes de confirmar o pagamento
Nunca utilize links recebidos por mensagens.
Como denunciar golpes do IPVA
Se você receber esse tipo de mensagem, é importante denunciar:
- no WhatsApp, usando a opção “Denunciar e bloquear”
- na Delegacia Eletrônica do seu estado
- ao banco, caso tenha clicado ou informado dados
- a familiares e conhecidos, para evitar novas vítimas
Denunciar ajuda a reduzir a circulação desses golpes.
Aspectos jurídicos relevantes
Essas práticas podem configurar crimes como estelionato, falsidade ideológica e uso indevido de identidade institucional. Mesmo quando não há prejuízo financeiro, a tentativa de indução ao erro já caracteriza conduta criminosa.
Do ponto de vista do consumidor, a informação correta é a principal ferramenta de proteção.
Conclusão
Os golpes que utilizam o IPVA como isca se apoiam na desinformação. Saber que não existem mais boletos de IPVA e que mensagens de cobrança por WhatsApp são falsas é suficiente para neutralizar grande parte dessas fraudes.
Em segurança digital, desconfiar é regra — especialmente quando o assunto envolve impostos e prazos.
Fonte: Orientações de Secretarias da Fazenda Estaduais e alertas de segurança digital
Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.