Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 12 de setembro de 2025
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) anunciou a intenção de transformar o atual Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), criado em 2024, em uma delegacia especializada em investigar crimes virtuais. A proposta, apresentada pelo secretário Guilherme Derrite, pode resultar na primeira Delegacia de Observação e Análise Digital do país, com apoio do governador e previsão de implantação ainda em 2025. O Liberal
Atualmente, o Noad monitora 742 alvos 24 horas por dia, infiltra-se em plataformas como Discord e Telegram na deep web e nas investigações já resultou em 162 vítimas resgatadas, 25 adolescentes apreendidos e 17 prisões efetuadas. Casos emblemáticos, como o de Cayo Lucas, que ameaçou o influenciador Felca e invadiu o sistema do CNJ, demonstram a gravidade e sofisticação dos delitos virtuais enfrentados. TerraO Liberal
1. Porque São Paulo Está na Vanguarda da Segurança Digital
A criação dessa delegacia representa um avanço estratégico, alinhando-se a estruturas já consolidadas em outros estados e países. Apesar de unidades como a DCCIBER terem sido instituídas em 2020 em São Paulo, este novo modelo é pioneiro por centralizar investigação e prevenção em crimes especializados, com foco em tecnologias emergentes e rede digital. TecMundo
2. Especialização como Ferramenta de Eficiência
Delegacias generalistas possuem limitações técnicas e estruturais para lidar com crimes digitais, que exigem conhecimento aprofundado em informática forense, análise de redes e criptografia. Uma unidade dedicada permite:
- Formação contínua de policiais em investigação digital;
- Coordenação com laboratórios forenses e centros de inteligência;
- Resposta mais ágil e contínua — o que já tem mostrado eficácia no resgate de vítimas e repressão a redes criminosas. O Liberal
3. Perspectiva Jurídica e Responsabilidade Estatal
Do ponto de vista jurídico, a iniciativa fortalece a efetividade do Princípio da Eficiência (art. 37 da CF) e da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, ao equipar o Estado para enfrentar novos formatos de delitos cibernéticos. Além disso, representa avanço prático no cumprimento dos objetivos da LGPD (Lei 13.709/2018), que demanda proteção de dados e combate a crimes digitais com estruturas adequadas.
4. Limites Regionais e Cooperação Necessária
Apesar de pioneiro, o modelo paulista não pode ficar isolado. A rede de delegacias especializadas em cibercrimes, mapeada pela SaferNet, já existe em vários estados — como ES, MG, PR, RJ e RS — mas muitas ainda carecem de recursos, laboratório forense e interlocução nacional. A proposta de SP deve servir como referência federal, incentivando políticas integradas e cooperação entre unidades. SaferNet Brasil
5. Conclusão
A criação da Delegacia de Observação e Análise Digital configura-se como marco na estrutura de segurança pública brasileira. Ela responde à urgência de enfrentar crimes virtuais que atingem principalmente crianças e adolescentes — crimes que não se limitam ao ambiente online, mas invadem a vida real com efeitos devastadores. Somente com especialização, inteligência e colaboração será possível romper o ciclo de violência e garantir proteção efetiva à sociedade digital.
Fontes: Folha de S.Paulo – “Derrite quer criar delegacia exclusiva para investigar crimes virtuais em SP” | Terra – “SP planeja delegacia para crimes digitais contra crianças e adolescentes” | TecMundo – “SP cria divisão policial especializada em crimes cibernéticos” | SaferNet – Lista de delegacias de cibercrimes no Brasil