Colaboradores Ainda São o Elo Mais Fraco na Segurança Digital?

Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M&A Segurança Digital
Publicado em 17 de julho de 2025

A maioria dos gestores acredita que a principal ameaça à segurança digital de uma empresa vem de fora: hackers, ransomware, malwares sofisticados. Porém, estudos recentes demonstram que uma pequena parcela de colaboradores é responsável pela maioria dos riscos e incidentes de segurança cibernética nas organizações.

A pesquisa divulgada pelo CyberNews em julho de 2025 mostra que menos de 5% dos funcionários representam mais de 80% dos riscos de segurança interna, seja por falhas de conduta, desconhecimento ou negligência. Diante disso, é fundamental rever a política interna de proteção de dados e reconhecer: não há tecnologia capaz de blindar uma empresa sem investir nas pessoas.

A verdadeira face das ameaças internas

O conceito de “insider threat” ou ameaça interna se refere a riscos causados por indivíduos com acesso autorizado aos sistemas da empresa, sejam eles:

  • Funcionários atuais
  • Terceirizados e prestadores de serviço
  • Ex-colaboradores com acessos não revogados
  • Colaboradores mal-intencionados
  • Usuários desatentos, mas bem-intencionados

O grande problema é que, muitas vezes, esses usuários não violam regras intencionalmente. Eles simplesmente não sabem identificar riscos — clicam em links maliciosos, expõem dados sensíveis em conversas por WhatsApp, utilizam senhas fracas ou repetidas, e fazem uploads para nuvem pessoal sem perceber o impacto disso.

O que dizem os números

A pesquisa do CyberNews mostra dados alarmantes:

  • 4,8% dos usuários em uma empresa média são responsáveis por 81% dos alertas de segurança;
  • O volume de incidentes de segurança dobra em períodos de onboarding (novos funcionários) e trocas de equipe;
  • Os setores de financeiro, jurídico e RH são os mais visados por hackers, mas também são os que mais cometem erros básicos, como envio de documentos sem criptografia.

Esses números evidenciam que o risco real está no comportamento humano, e não apenas nas falhas técnicas. Por isso, investir em treinamento contínuo é uma das estratégias mais eficientes para proteger os ativos digitais da empresa.

A importância do treinamento em segurança digital

A segurança digital não pode ser tratada como um tema exclusivo da TI. É uma responsabilidade compartilhada entre diretoria, liderança e todos os usuários da rede.

Um bom programa de capacitação deve incluir:

Reconhecimento de tentativas de phishing e engenharia social
Boas práticas no uso de e-mail corporativo
Gestão segura de senhas e autenticação multifator
Responsabilidade civil e penal dos colaboradores em caso de vazamento
Riscos no uso de dispositivos pessoais (BYOD)
Cuidados com armazenamento em nuvem e compartilhamento de arquivos
Procedimentos em caso de incidentes (quem acionar, como reagir, o que documentar)

O treinamento deve ser repetido periodicamente, com avaliações práticas e conteúdo atualizado conforme os novos vetores de ataque. Simulações reais de ataques e campanhas de phishing também têm se mostrado altamente eficazes.

Segurança digital é mais do que tecnologia

Firewalls, antivírus, EDRs, DLPs e backups em nuvem são importantes, mas não substituem uma cultura organizacional forte em segurança digital.

Quando o colaborador entende o valor da informação, ele passa a agir como um agente de proteção e não como um risco. Empresas que tratam a cibersegurança como parte da rotina — e não como um problema do “pessoal da TI” — conseguem reduzir drasticamente seus índices de falhas humanas.

Caso real (cenário ilustrativo)

Em uma auditoria recente conduzida pela equipe da M&A Segurança Digital, detectamos que uma colaboradora da área financeira havia enviado planilhas salariais via e-mail pessoal para “trabalhar de casa”. O problema? O e-mail estava comprometido, e as informações foram parar em um fórum de vazamento de dados.

Nesse caso, não houve má-fé. Foi falta de orientação. Após análise, identificamos que 17 funcionários da empresa tinham o mesmo comportamento. Implementamos uma trilha de capacitação gamificada e, em 60 dias, o risco caiu 84%.

Como começar agora mesmo

Você é gestor, advogado, contador ou profissional liberal? Veja as ações imediatas para fortalecer a segurança digital da sua empresa:

  1. Mapeie os acessos mais críticos e quem tem permissão a eles
  2. Implemente uma política clara de uso de sistemas, dados e dispositivos
  3. Revise as permissões de ex-funcionários e crie níveis de acesso por função
  4. Invista em treinamentos obrigatórios e simulações periódicas
  5. Tenha apoio técnico de uma empresa especializada, como a M&A Segurança Digital, para diagnósticos e aplicação de soluções preventivas.

Conclusão

A segurança digital começa nas pessoas. Enquanto empresas investem milhões em softwares sofisticados, um único clique errado pode abrir a porta para um vazamento catastrófico.

Se proteger digitalmente é mais do que uma opção — é uma responsabilidade.
E tudo começa com educação digital dentro da empresa.


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