Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 28/11/2025
Relatório recente da Mastercard aponta que, embora 80% dos consumidores latino-americanos digam sentir-se preparados para o ambiente digital, quase metade indica fraudes e golpes como sua maior frustração. O cenário reforça a complexidade da transformação digital: confiança elevada, mas vulnerabilidades também — exigindo mais segurança, educação e responsabilidade em pagamentos eletrônicos.
Ambiente digital em expansão: motivadores da pesquisa
A crescente adoção de pagamentos digitais, carteiras virtuais e transações online transformou hábitos — ampliando comodidade e acesso. Com esse crescimento, aumentam paralelamente as tentativas de fraudes, clonagens, golpes de phishing e invasões de contas. A pesquisa da Mastercard evidencia que o avanço tecnológico traz benefícios, mas impõe novos desafios à proteção dos dados e da privacidade. Business Wire
Dados que chamam atenção pela vulnerabilidade
Entre os participantes do levantamento:
- 80% afirmam se sentir capazes de navegar digitalmente com segurança — demonstrando maturidade e confiança. Business Wire
- Ainda assim, 47% apontam fraudes e golpes como a principal frustração nas transações online e no uso de serviços financeiros. Business Wire
- A crescente ameaça representada por golpes com uso de IA — como clonagem de voz ou deepfakes — é percebida como preocupação por 43% dos entrevistados. Business Wire
Esse quadro revela o chamado “paradoxo digital”: quanto mais conforto e tecnologia, maior a exposição a novas formas de risco.
A transformação da fraude: novas táticas, novos perigos
Com a evolução tecnológica e o uso crescente de IA por golpistas, os ataques deixaram de ser apenas “rachaduras no sistema” e se tornaram mais sofisticados e personalizáveis. Entre as táticas mencionadas estão: phishing com engenharia social avançada, deepfakes de voz ou vídeo, clonagem de identidade digital e fraudes em transações com PIX ou carteiras digitais. Business Wire
Para o consumidor despreparado, torna-se cada vez mais difícil distinguir o real do falso — especialmente quando dados pessoais e metadados já circulam amplamente.
O que o setor de pagamentos deve fazer para restaurar a confiança
Segundo o relatório, a resposta às ameaças passa por três pilares fundamentais:
- Tecnologia de prevenção e detecção: soluções de “inteligência de ameaça” baseadas em IA, capazes de identificar padrões suspeitos antes da fraude efetiva. A Mastercard, por exemplo, afirma investir bilhões em segurança e lançou recentemente ferramentas focadas na antecipação de riscos. Business Wire
- Transparência e educação do usuário: oferecer clareza sobre riscos e boas práticas, com campanhas contínuas de conscientização digital. O consumidor informado é a melhor linha de defesa.
- Governança e compliance: garantir que toda estrutura de pagamento — bancos, fintechs, provedores — adote políticas rígidas de criptografia, verificação em duas etapas e monitoramento de acesso, evitando vulnerabilidades estruturais ou negligência.
Implicações para o Brasil e usuários domésticos
O Brasil, com uso intensivo de PIX, carteiras digitais e transações por celular, está no epicentro desse novo momento. Para usuários domésticos, a pesquisa reforça que:
- A confiança deve vir acompanhada de cautela: mesmo quem entende de tecnologia deve adotar práticas de segurança.
- Ativar autenticação em dois fatores, revisar senhas, evitar reutilização de credenciais e desconfiar de solicitações suspeitas são atitudes indispensáveis.
- Monitorar notificações bancárias, analisar transações e manter controle rígido de dados pessoais e financeiros — especialmente em um cenário de fraudes com IA em crescimento.
Para empresas do setor financeiro e digital, a mensagem é clara: não basta oferecer conveniência — é preciso entregar segurança verdadeira, de ponta a ponta.
Conclusão
A pesquisa da Mastercard revela que a transformação digital popularizou os pagamentos eletrônicos, mas não eliminou os riscos; ao contrário: os tornou mais complexos. A crescente confiança dos consumidores convive com o medo constante de ser alvo de fraudes sofisticadas.
Nesse novo paradigma, a segurança digital deixa de ser diferencial e se torna obrigação. A construção de um ambiente confiável depende da tecnologia, da governança e da educação digital — para que a inovação ande lado a lado com a proteção.
Fonte: Business Wire / Mastercard, novembro de 2025 Business Wire
Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital.