ONU alerta: violência digital alimenta nova onda de abuso contra mulheres e meninas

Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Publicado em 27/11/2025

A ONU emitiu um alerta global indicando que a violência digital está impulsionando uma nova onda de abusos contra mulheres e meninas, com impactos diretos na segurança, saúde mental e participação pública. Este artigo explica o problema, suas causas e as medidas urgentes para proteção e responsabilização.

A digitalização ampliou a voz das mulheres, mas também ampliou os riscos. A ONU alerta que ataques online — que vão de assédio e perseguição digital a divulgação de conteúdo íntimo — estão crescendo em escala e gravidade. Plataformas digitais tornaram-se ambientes onde a violência de gênero se replica, se expande e se torna permanente, causando danos reais na vida física e emocional das vítimas.

O que caracteriza a violência digital contra mulheres e meninas

A violência digital é um conjunto de condutas praticadas por meio da tecnologia com intenção de constranger, humilhar, perseguir, ameaçar ou explorar. Entre as principais práticas identificadas pela ONU estão:

  • Divulgação não consentida de imagens íntimas
  • Ameaças, humilhações e perseguição online
  • Espionagem digital, controle de dispositivos e invasão de privacidade
  • Criação de perfis falsos para difamar ou extorquir
  • Manipulação de imagens com IA para fins de abuso sexual
  • Ataques massivos coordenados (“tropas de ódio”)

Segundo o alerta, meninas e adolescentes são alvos frequentes, muitas vezes sem apoio ou compreensão sobre como denunciar e se proteger.

O impacto real dessa violência

Mesmo ocorrendo no ambiente digital, os efeitos são concretos:

  • Ansiedade, depressão e isolamento social
  • Medo de participar de debates públicos ou exposições profissionais
  • Controle psicológico e dependência emocional em relações abusivas
  • Danos reputacionais graves
  • Risco de violência física offline

A ONU enfatiza que a violência online não é “virtual”: ela produz danos reais, imediatos e persistentes na vida das vítimas.

Causas e fatores que ampliam o problema

O alerta coloca foco em três elementos centrais:

  1. Anonimato e facilidade de reprodução do conteúdo
  2. Falta de educação digital e ausência de políticas de prevenção nas escolas
  3. Falhas das plataformas na moderação de conteúdos abusivos

A combinação desses fatores cria um ecossistema propício para ataques de gênero, especialmente contra mulheres jovens.

Marco jurídico e o que diz a lei brasileira

O Brasil possui um dos arcabouços legais mais completos para proteção de mulheres no ambiente digital, incluindo:

  • Lei Carolina Dieckmann (crimes de invasão de dispositivo)
  • Lei 13.718/18 (registro não autorizado de conteúdo sexual)
  • Lei Maria da Penha, com aplicação ao ambiente digital em casos de violência psicológica
  • LGPD, que protege dados pessoais e garante responsabilização em casos de uso indevido

Mesmo assim, a subnotificação é enorme. Muitas vítimas desconhecem seus direitos ou acreditam que “não vai dar em nada”.

Como combater e prevenir a violência digital

O que plataformas e autoridades devem fazer

  • Fortalecer sistemas de denúncia rápida e remoção de conteúdo
  • Exigir identificação mais segura para novos perfis
  • Investir em IA para detectar abuso de gênero
  • Promover campanhas amplas de conscientização
  • Criar fluxos claros entre denúncia, registro policial e proteção da vítima

O que famílias e escolas precisam incorporar

  • Educação digital desde a infância
  • Conversas abertas sobre exposição online e consentimento
  • Orientação sobre relacionamentos controladores e violência psicológica
  • Apoio imediato quando a vítima relata abuso

O que mulheres e meninas podem fazer hoje

  • Activar verificação em duas etapas e revisar permissões de aplicativos
  • Manter contas privadas e limitar informações pessoais
  • Registrar prints e evidências em caso de ataques
  • Bloquear e denunciar perfis abusivos
  • Buscar apoio em órgãos especializados e delegacias da mulher

Conclusão

A violência digital é hoje uma das principais ameaças à liberdade, dignidade e segurança das mulheres. O alerta da ONU reforça que não basta reagir ao dano — é preciso prevenção contínua, educação digital e responsabilização firme.
A tecnologia pode ser uma ferramenta de empoderamento, mas só será segura quando houver compromisso coletivo com proteção e respeito.

Fonte: ABI – Associação Brasileira de Imprensa

Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital
Formado em Segurança Pública, Bacharel em Direito e Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.

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